DIVINÓPOLIS

RCC

É lícito cantar canções evangélicas?

22 JUN 2016
22 de Junho de 2016

Meus amigos e amigas, que a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo permaneça com cada um de vocês.

Depois de ler vários comentários sobre o áudio que eu fiz a respeito da licitude do uso de canções de autores que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica, eu tenho agora a oportunidade de retomar o tema e fazer pequenos aprofundamentos em algumas questões.

Eu não pude tratar diretamente sobre o tema do Ecumenismo naquele áudio e infelizmente também não posso fazer isso nesse artigo agora porque ele ficaria muito longo e eu não atingiria o meu objetivo que é refletir especificamente sobre o tema das canções.

A afirmação categórica que eu quero fazer aqui é a seguinte: No Culto Católico – e eu uso a palavra “culto” para abranger todas as assembleias de oração existentes na nossa Igreja, quer elas sejam litúrgicas, quer não – a canção precisa ser necessariamente e 100% Católica! Repito: No Culto Católico a canção usada precisa ser 100% Católica.

Muito bem. E o que faz uma canção ser 100% Católica?

  1. Ela precisa estar de acordo com o Depósito da Fé da Igreja Católica, custodiado pelo Magistério da Igreja. Esse depósito é constituído pela Revelação presente nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição.
  2. No caso da Assembleia Litúrgica, além de reta doutrina, a canção deve ter melodia apropriada e deve estar de acordo com o sentido da ação litúrgica que se celebra.

E a autoria? Não é um critério pra que uma produção artística seja considerada “católica”?

O Autor nunca foi e nunca será a garantia de que um determinado conteúdo é ou não “Católico”. Vou citar um exemplo: Orígenes! Orígenes é um dos padres da Igreja do século III. Dele – de Orígenes – nós lemos coisas simplesmente maravilhosas que exprimem o verdadeiro conteúdo “Católico”. Aliás, ninguém passa pelo estudo da patrística ou da patrologia desconsiderando Orígenes e os seus escritos. Por outro lado, Orígenes sustentou a heresia gnóstica e esse é um dos motivos pelo qual esse valiosíssimo Padre da Igreja não foi canonizado: Porque nem tudo o que ele disse e escreveu era católico.

Recentemente eu fui presenteado com um CD de um músico católico ligado à RCC de Honduras. Numa determinada canção, cujo tema é a Eucaristia, a canção diz assim: “Pedaço de Pão, Pedaço de carne…” traçando um paralelo entre o antes e o depois da transubstanciação. Embora o autor seja “Católico”, essa música “não é católica” porque a Eucaristia não é “um pedaço da carne de cristo” “um pedaço de alguma parte do corpo de Cristo”, mas o “Christus Totus”, o “Cristo TODO”, independentemente do tamanho da partícula.

Por outro lado, nós há pessoas que não são católicas produzindo conteúdos artísticos verdadeiramente “católicos”? Sim! Aliás, desde antes de Cristo existe gente produzindo conteúdo “cristão”! Eu sei que essa frase pode ter chocado um pouco a sua lógica – ou a sua falta de lógica, talvez. Por isso, vou fundamentar minha afirmação.

A luz da Fé – Lumen Fidei – cujo conteúdo é a Revelação, quando lançada sobre a realidade humana, consegue perceber, nas mais variadas expressões culturais, “partes”, “resquícios” da verdade objetiva. São Justino Mártir chamou esses resquícios de “Sementes do Verbo”.

O mesmo São Justino Mártir, exímio filósofo do Século II, foi capaz de exclamar: “São Sócrates, rogai por nós”. E quem era Sócrates? Sócrates era um filósofo grego – portanto, um pagão – que não tomou conhecimento da revelação de Deus a Israel e muito menos da revelação cristã (até porque provavelmente ele nasceu em 469 a.C neh). E sabe porque São Justino faz esta exclamação São Sócrates, Rogai por nós? Porque Sócrates foi assassinado por causa da verdade. Ele começou a ensinar, dentre outras coisas, que aquela fanfarra de deuses gregos no panteão era contra a razão… E… Sócrates defendia a existência de um único Deus. Morreu sendo acusado de corruptor da juventude. São Justino considera Sócrates um mártir de Cristo, porque Ele, Jesus, é a VERDADE, e toda a verdade procede do Espírito Santo!

O período escolástico foi precedido e permeado por uma séria discussão no que se refere ao uso da filosofia – ou dá lógica, pra gente manter o mesmo termo que os autores dessa época usavam – pro ensino da fé cristã. Os principais autores católicos desse período se utilizaram da filosofia pagã nas suas reflexões.

O principal autor desse período é São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja e autor da Suma Teológica. São Tomás marcou pra sempre a vida da Igreja. Na Encíclica Fides et Ratio – Fé e Razão – São João Paulo II fala da necessidade de que a Igreja retome com ardor o estudo do Tomismo.

São Tomás de Aquino afirmou o seguinte:

“Toda verdade, dita por quem quer que seja, vem do Espírito Santo.”

Ele diz ainda, sobre o tema da verdade: ““não olhes por quem são ditas, mas o que dizem

O principal autor utilizado por São Tomás foi o pagão Aristóteles, que, dentre outros erros, disse que a matéria era eterna (portanto, não criada) e por aí vai. Apesar de ter, nos seus escritos, erros muito graves doutrinariamente falando, uma boa “parte” do que ele escreveu – e no caso de Aristóteles é uma boa parte MESMO – é a mais pura verdade. Mesmo que Aristóteles não fosse católico, seus ensinos hoje são praticamente obrigatórios pra qualquer um que queria ser sacerdote na Igreja.

É baseado nisso que o Catecismo da Igreja Católica vai afirmar que o homem é “capaz de Deus”

e que ele pode chegar ao conhecimento da existência de Deus pelo reto uso da sua razão.  Desse modo, ainda que isso seja um mistério pra nós, percebemos que a verdade independe do caráter da pessoa que a pronuncia. Esse é o esplendor da verdade, que SEMPRE procede do Espírito Santo.

Dito isto, eu quero dar um passo adiante:

Se autores que nem sequer são cristãos podem, de alguma forma, nos enriquecer no conhecimento verdade, o que dizer dos cristãos? Há produções de autores cristãos que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica que são “católicas”? Você, que é inteligente, já deve estar balançando a sua cabeça positivamente enquanto me ouve fazer a pergunta, neh?! É evidente que sim! Nós encontramos obras artísticas que nos enriquecem profundamente no conhecimento da verdade que são oriundas de autores ortodoxos e protestantes no campo da Teologia e da Fé!

Eu quero ler aqui um pequeno trecho do Documento Conciliar Unitatis Redintegratio. A partir do parágrafo 4 o documento diz assim:

Por outro lado, é mister que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um patrimônio comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do sangue. Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras.

Vejam só: O Documento diz: Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras. A pessoa que escreveu, compôs ou seja lá o que for, não está em plena comunhão, o que é muito triste. Mas, ali, naquele conteúdo que procede do nosso patrimônio comum, essa obra pode ser considerada como inspirada pelo Espírito Santo, o que significa dizer que ela pode ser considerada como obra de Deus!

Vamos seguir a leitura:

Nem se passe por alto o fato de que tudo o que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode também contribuir para a nossa edificação. Tudo o que é verdadeiramente cristão jamais se opõe aos bens genuínos da fé, antes sempre pode fazer com que mais perfeitamente se compreenda o próprio mistério de Cristo e da Igreja.

O Espírito Santo, autor da Verdade, age nos irmãos de nós separados e o que Ele faz lá, por meio deles, pode muito bem contribuir para a nossa edificação, nos ajudando a crescer na nossa compreensão acerca do mistério de Cristo e da Igreja!

Antes de seguir adiante e avançar no tema falando desde a ótica do Movimento Carismático, eu quero formular alguns pensamentos diante da indagação que eu mais recebi até agora sobre esse assunto. A indagação é a seguinte – e eu vou formular ela do jeito que muitos a tem formulado pra mim: Se existe uma infinidade de conteúdo de autores católicos, porque ler ou escutar um autor que não seja católico?

Vou elencar alguns porquês:

  1. Porque a verdade provém do Espírito Santo. Por causa do autor da Verdade, o Espírito Santo, toda a verdade é digna de ser lida e ouvida. Existe a questão pastoral e pedagógica também, que precisa ser levada em conta… É verdade que o “povão” não tem formação e que se confunde? É verdade sim. Eu só acho que isso se resolve promovendo formação doutrinária ao invés de uma alfândega para a ação do Espírito Santo. Pergunte-se: O que está sendo dito é a verdade? O conteúdo é “católico”? Então, ele pode muito bem ser bem-vindo. Amigos, a culpa é do Espírito Santo, que fica inspirando essa gente por aí… E se o Espírito Santo é Deus… Eu prestaria atenção no que Ele diz, se eu fosse você, mesmo que seja por meio de alguém que você não goste ou por meio de alguém com quem você não vai muito com a cara. É Deus falando, gente!
  2. Outro porque pra essa indagação: Porque embora nós tenhamos o “Christus Totus” na nossa doutrina, a compreensão dessa doutrina não é algo estagnado, mas está em constante progresso. É por isso que Unitatis Redintegratio afirma que os autores “não-católicos” podem nos ajudar na compreensão do mistério de Cristo. O Papa Bento XVI, no seu último discurso falando ao clero de Roma, disse que os exegetas protestantes fizeram avanços importantíssimos nessa área enquanto os católicos andavam meio que “estagnados”, motivo pelo qual havia uma grande expectativa no Concílio Vaticano II – e eu estou falando de Bento XVI, hein. O Papa usou profundamente a obra de um Rabino em seu livro Jesus de Nazaré. O Frei Raniero Cantalamessa cita Kierkegaard e outros autores em dezenas de livros. O Pe. Fortea, um dos exorcistas mais renomados do mundo, citou o importante trabalho de autores pentecostais evangélicos sobre o assunto da “Batalha Espiritual” num pronunciamento que ele fez a Padres reunidos num Congresso. Ora, meus amigos: Por que é que esses homens perdem seu tempo lendo esses autoresse existe um sem fim de obras de autores católicos pra serem lidas, não é mesmo? Por que será? Porque há, em outras tradições cristãs, riquezas que podem iluminar a nossa compreensão do mistério de Cristo e da Igreja das quais esses homens humildes e sábios não querem se abster!
  3. Vamos a um terceiro porquê pra essa indagação: Porque as obras e movimentos oriundos de meios “não católicos” se mostraram importantíssimas na vida da Igreja recentemente. Três grandes movimentos precederam o Concílio Vaticano II: O Movimento Ecumênico, o Movimento Bíblico e o Movimento Litúrgico. Desses três, dois deles nasceram no protestantismo. Esses três movimentos foram inspirações poderosas para o Concílio Vaticano II. Além disso, o maior Movimento Eclesial da Igreja Católica recente, a Renovação Carismática, nasceu sob influência do Movimento Pentecostal nascido no meio Protestante!
  4. Um último porquê que eu ofereço pra essa indagação: Porque muitas vezes – infelizmente – os argumentos de muitos músicos e escritores católicos – que desejam proibir o acesso a autores não católicos – são em preocupações puramente mercadológicas.

Outra alegação – e vou formular do mesmo jeito que a questão foi formulada pra mim, é a seguinte: Por que vou ler ou escutar um autor que pode me conduzir ao erro, uma vez que ele não possui a verdade plena? E como poderia eu recomendar a leitura de um autor assim para outra pessoa? Vamos as respostas:

  1. Porque o Espírito Santo não é Deus de confusão. Se Ele está falando, eu quero escutá-lo, na certeza de que, enquanto é Ele quem fala, o conteúdo pode me edificar, ao invés de me confundir. Isso pressupõe conhecimento da doutrina da fé, é evidente, e a solução pra essa necessidade se chama ESTUDO ao invés de alfândega, proibição e desaconselhamento.
  2. Outro porquê: Porque o fato de um autor não possuir a verdade plena ou possuir graves erros não significa que ele não possua “verdade alguma”. Aliás, é por isso que podemos ler Sócrates (que era pagão), Aristóteles (que era pagão), Platão (que era pagão), Plotino (que era pagão), Flávio Josefo (que era judeu), Orígenes (que era católico), Alexander Mien (que era ortodoxo), C.S. Lewis (que era protestante) e tantos outros. A verdade é sempre digna da nossa atenção!
  3. Mais um porquê pra essa indagação: Porque se eu conheço um amigo ou amiga e sei do seu preparo doutrinário, posso muito bem indicar uma obra que seja edificante, mesmo que o autor da mesma não seja católico. Muitas vezes a gente indica alguns autores que eu citei antes sem nenhum tipo de remorso – C.S. Lewis e outros – quando esses caras, sem exceção alguma, possuíram graves erros de doutrina. Mesmo assim, não sentimos peso ou remorso por isso. Por que agimos assim… Com dois pesos e duas medidas? Qual é o motivo de nossa falta de caráter? Qual é o real critério que a gente deve empregar: Não é a doutrina? E porque a gente quer criar alfândegas que a Igreja mesmo não cria?
  4. Um último porquê: Porque não se ensina a verdade colocando um tampão nos ouvidos e nos olhos dos outros pra que eles não vejam nem escutem opiniões contrárias. Eu bem sei que membros da Igreja agiram assim em determinados momentos da história e sei, também, que há movimentos, institutos e congregações que agem assim até hoje, empobrecendo o livre exercício do pensar nos seus membros. Mas a solução para formar um povo de reta doutrina é: Dar formação ao invés de proibir ou “não recomendar” o acesso.

Uma última alegação que eu quero responder aqui: Mas a gente não pode preferir músicos católicos, priorizar músicos católicos, incentivar as canções de autores católicos? Não somente a gente pode como a gente deve! Valorizar aquilo que os irmãos que lutam lado a lado com a gente nos nossos grupos de oração é, no mínimo, justo e necessário! Eu aproveito aqui pra deixar bem claro: É ISSO QUE DEVE SER FEITO! O que não pode acontecer é a gente atrelar esse incentivo dos nossos a uma proibição daqueles que embora não estando em comunhão plena, também podem nos edificar, porque esse tipo de proibição ou desaconselhamento – que, na práxis, funciona como uma proibição –  a Igreja não faz! O que é preferência nossa e valorização dos nossos irmãos que batalham lado a lado com a gente deve sempre ter esse caráter: O de preferência e valorização!

Veicular e divulgar escritos e vídeos de autores protestantes que vão diretamente contra a nossa fé ou que nos ofendem com o intuito de que os católicos rejeitem qualquer coisa que venha de um autor protestante é incitar o ódio, a rejeição, e é ir contra as recomendações do Documento Conciliar Unitatis Redintegratio. Todos os protestantes são protestantes porque não crêem na eficácia dos sacramentos, não aceitam a primazia do Papa, não crêem na comunhão dos santos, não veneram a virgem Maria e por aí vai. A Igreja, tendo conhecimento disso, diz que, naquilo que nós temos em comum – Fé na Santíssima Trindade, na salvação em Jesus Cristo, e em inúmeros outros artigos de fé – eles podem nos edificar – e de fato nos edificam, se a gente for humilde o suficiente pra permitir isso … E vc vai querer justificar o contrário, meu amigo? Vai querer colocar em relevo aquilo que entre nós só gera desavença e dor a fim de apagar aquilo que o Espírito Santo reconhecidamente faz nascer no meio deles? Eu convidaria vc que já agiu assim a buscar um bom sacerdote e se confessar…

Muito bem! Vamos avançar:

Eu entendo quando um católico tradicionalista toma uma posição arredia nesse campo – embora eu conheça vários de uma linha mais conservadora e de viés tradicionalista que reconhecem o maravilhoso legado luterano, anglicano e metodista no campo das artes (sobretudo na música). O que eu não posso aceitar e acho ser simplesmente inconcebível é ver um posicionamento arredio por parte de católicos afins à Renovação Carismática. No caso dos carismáticos… A oposição a tudo o que tenho exposto até agora é de uma ignorância que não tem tamanho e eu me sinto consternado com isso.

A questão ecumênica não é periférica, mas central e essencial na RCC. Eu já tive a oportunidade de afirmar isso antes e vou repetir: Se o fato de um conteúdo ou experiência ser “protestante” é suficiente pra ser rejeitada… Então eu preciso concordar com o finado Prof. Orlando Fedeli e dizer aqui, em alto e bom tom, que a RCC é a fumaça de Satanás dentro da Igreja Católica! Por quê?

  1. Por que a RCC nasceu inegavelmente do Pentecostalismo Evangélico. Aqueles três professores batizados no Espírito Santo que organizaram o retiro de Dusquene leram livros evangélicos, frequentaram reuniões de oração evangélicas em casas de família e convidaram uma palestrante evangélica pro retiro de Duquesne!
  2. Nos inícios da RCC havia grupos frequentados por católicos e evangélicos juntos. Houve um grande congresso em 1977 no Kansas realizado por Católicos e Evangélicos – Aliás, diga-se de passagem, foi nesse congresso que o Frei Raniero Cantalamessa experimentou o primeiro impacto da experiência carismática.
  3. Eu ouvi da boca do Pe. Eduardo Dougherty, do Pe. Haroldo Rahm, do Reinaldo Beserra e do Tatá, meus amigos, que pastores evangélicos eram convidados a pregar nos nossos primeiros congressos e que membros de igrejas evangélicas participavam como conselheiros.
  4. Grande parte das músicas e da literatura usadas pela RCC por 40 anos era evangélica. Muitos dos nossos livros e apostilas oficiais possuem, em suas fontes bibliográficas, citações de livros de autores evangélicos.

Mas, não se preocupem, meus amigos. É porque toda a verdade vem do Espírito Santo independente da pessoa que a pronuncia que nós podemos nos tranquilizar. A Igreja teve a capacidade de acolher a experiência pentecostal, recolher aquilo que era bom, rejeitar aquilo que não condiz com a nossa tradição e, assim, nós temos a RCC.  E este era o critério de ontem, é o critério de hoje e será o critério de amanhã e de sempre!

Eu quero agora, por fim, abordar a questão da licitude ou não de canções de autores não católicos nas Assembleias litúrgicas, sobretudo na Missa.

  1. Tudo que falamos até agora deve ser aplicado igualmente para a celebração Eucarística.
  2. Uma canção não se torna apta para a liturgia em virtude de seu autor, mas sim por seu conteúdo e melodia, que devem atender ao sentido litúrgico.

O livro de cânticos mais tradicional da Alemanha – O Gotteslob – pra citar um exemplo, tem músicas de autoria católica, luterana, e outras que não se sabe ao certo a proveniência do autor. Os alemães são tão metódicos e organizados que essas canções (as que não se sabe ao certo a autoria) estão dispostas com a mesma numeração tanto na versão católica quanto na versão luterana. Nos Estados Unidos esse livro foi traduzido ao inglês e é usado nas celebrações litúrgicas. Há canções desse livro traduzidas e cantadas na língua portuguesa que são de autoria protestante. Cito, por exemplo, o belíssimo hino “Deus Eterno a vós Louvor”.

Vou afirmar aqui sem medo algum: Há canções de autores protestantes muito mais apropriadas para a liturgia que certas canções de autores católicos por aí.

Mas até agora eu fiz citações de obras e autores do Protestantismo Clássico. Para que ninguém use essa desculpa, cito também algumas obras maravilhosas de autores do Pentecostalismo Clássico:

  1. Cito a Cantata Vento Livre da Igreja Batista do Morumbi, composta por Guilherme Kerr, Jorge Camargo, Jorge Rehder, João Alexandre e Nelson Bomilcar, com algumas canções sumamente apropriadas para a celebração da Santa Missa.
  2. Cito um sem fim de canções do cantor e compositor Asaph Borba. Dentre elas eu citaria, por exemplo, a Canção “Melhor é Dar” que daria um hino de campanha da Fraternidade e tanto!
  3. Cito o autor e compositor Bené Gomes, líder do Ministério Koinonia de Louvor, autor da Canção “Oferta de Amor”, tão cantada nos nossos ofertórios.

Eu finalizo essa reflexão fazendo algumas ressalvas importantes, alguns cuidados pastorais que precisamos ter e algumas premissas que merecem ser ressaltadas no final de toda essa reflexão:

  1. Em nossos cultos de oração a música deve ser necessariamente católica.
  2. A autoria não confere necessariamente catolicidade a uma obra.
  3. Toda verdade, dita por quem quer que seja, vem do Espírito Santo.

Alguns cuidados pastorais:

A Igreja Evangélica no mundo é uma igreja em crise. A Teologia da Prosperidade infestou muitas igrejas e o resultado é pernicioso. Alguns evangélicos ainda batem no peito dizendo: “O número de evangélicos está crescendo… Seremos maioria em pouco tempo, etc”… Mas o fato é que esse crescimento é preocupante até para os evangélicos sérios que existem e estão por aí. Por quê? Porque a imoralidade tah crescendo, o pecado tah crescendo, a carnalidade tah crescendo e o número de evangélicos está crescendo? Muito estranho! No Avivamento de Azuza Street, em 1906, que é o marco do Movimento Pentecostal, houve em Los Angeles uma diminuição da criminalidade e da imoralidade – e isto está até registrado nos jornais!!! A Igreja Evangélica que está crescendo no Brasil é a da “prosperidade”, aquela que tem o HOMEM no centro e Deus como seu servo! Como consequência disso, as canções dos últimos 20 anos maios ou menos estão cheias dessa teologia da prosperidade. Portanto, meus amigos, precisamos conhecer a doutrina pra não encher o nosso culto dessa nefasta doença que está tomando o cristianismo!

A formação do nosso povo é uma necessidade imperiosa.

De verdade, que saudades de tempos nos quais os autores de qualquer obra cristã ao invés de assinarem seus nomes escreviam apenas “Para a Glória de Deus”.

Fernando Nascimento

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